
É interessante analisar como as pessoas se portam a partir do momento em que surge a dúvida em suas cabeças, ainda mais se tal dúvida tem relação ou não com a sexualidade de um amigo próximo.
Tipo, eu sinceramente não acho necessário sair espalhando aos quatro ventos sobre a minha sexualidade, trata-se de algo relacionado a mim e pronto. Mas as pessoas que nos rodeiam, amigos, parentes, viszinhos, colegas de trabalho etc... “sempre precisam saber”. Mas porque disso? Bom... na maioria das vezes para saciar a curiosidade, outra, casos mais raros a meu ver, se dá no intuito de querer “ajudar” de alguma forma – not. Sou cético... é sempre pra saciar a curiosidade e ter pauta na hora da fofoca.
Bem... cada situação é única e deve ser bem observada. Recentemente um amigo passou por isso. Recebe uma mensagem de uma ameega dizendo que precisava falar com ele assim que possível sobre um assunto muito sério e que a preocupou demais. Pelo teor do restante da mensagem, lia-se claramente qual seria o tema da conversa. Pois bem, passados alguns dias, numa volta para casa, vem o comentário, “pois então... queria falar com você sobre uma coisa”... “pode falar”... “nossa nem sei por onde começar”... “pelo começo oras”, respondeu de forma irônica até.... “é que... [pausa]... vieram me falar que te viram em uma boate gay!”... “ah... mesmo?! Nossa que coisa hein”... “sim... e que você estava tão diferente”... “Hum...” morreu o assunto.
Que situação, inusitada até, mas acredito que já passamos por ela alguma hora das nossas vidas. Eu particularmente não me vejo em uma situação de tensão, hoje não, pelo contrário, instigaria a pessoa para saber o verdadeiro motivo de que ela precisaria saber sobre algo tão íntimo... provavelmente poderia até ser grosso no modo de falar, como já fui quando vieram me perguntar sobre isso, mas o fato é que não vejo a mínima necessidade dessa conversa, nem mesmo com família.
Não saio perguntando a ninguém o que eles fazem em quatro paredes, e muito menos sobre questões de suas vidas íntimas, então o por que de ser ou não ser gay gera tanta comoção e curiosidade nas pessoas que nos rodeiam? Bom... segundo uma teoria que recentemente li, e achei até engraçada, apontava que essa curiosidade partia do fato de tentar ocupar a mente da pessoa com algo diferente que compensasse a sua vida patética. Sinceramente... vai saber... mas somos todos curiosos... isso não há de se negar.
Claro que existem aquelas pessoas com as quais temos uma relação mais aberta, são pessoas que confiamos ao falar sobre as nossas vidas, sentimentos, medos etc... mas para isso, há de se ter um filtro enorme de seleção. Não é qualquer pessoa que podemos confiar, ainda mais vivendo em cidade de interior.
É notável que estamos em processo de transição blábláblá... mas não é por isso que acredito ser viável se expor de forma desnecessária, vivo minha vida para mim mesmo, procuro o que me faz feliz e não vejo motivos de publicar isso no jornal de domingo.
Mas o fato é que a curiosidade alimenta a alma das pessoas e isso pode ser prejudicial se não tomarmos o cuidado certo. Acredito que a amizade vale pelo respeito e consideração e não pela sexualidade, discurso manjando... mas pra mim super válido.